sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Como o Romantismo Mudou o Conceito de História

Para J. Guinsburg é fundamental para o entendimento do século XIX a mudança do conceito de História que se operou graças ao Romantismo.

Para entender essa mudança devemos opô-la ao conceito de História vigente desde a instauração do Cristianismo e a visão Clássica. A primeira, teocêntrica e teológica judio-cristã, concebia a História como um ciclo de revelação do poder divino através dos atos de vontade de Deus. A segunda considerava a História como um produto das "vidas ilustres", do sábio, do filósofo, do herói, do rei. Com o Romantismo introduz-se uma nova visão e a História deixa de ser meramente descritiva, para se tornar basicamente tanto interpretativa como formativa. Segundo esta  nova visão a História seria formada a partir de um conjunto de histórias dos povos e sociedades: o herói romântico apesar de suas particularidades é uma representação destes anseios da sociedade. 

Esta preocupação interpretativa e social, ainda que colorida por impulsos de mitificação, subjetivação, idealização e espiritualização, traz uma dimensão mais "real" e cotidiana à História, já que passa a se preocupar com o estudo do desenvolvimento dos povos, de sua cultura erudita , de seu saber popular (folclore), de sua personalidade coletiva ou espírito nacional, de seu "mores" e práticas típicas, de seus modos de produção e existência material e espiritual.

A dimensão do tempo é explicada não segundo uma visão mítica cristã ou de simples cronologia clássica, mas segundo uma estrutura mais organizada, mais ou menos comandada por denominadores comuns. As ações devem ser explicadas pelo fato de acontecerem num certo contexto e num certo tempo que as orienta, numa rede de nexos, de ações e reações. As ações de importância são aquelas que contribuem para o estabelecimento deste contexto, que afetam este componente social: assim a cronologia ganha uma dimensão semântica que não tinha antes. 

A importância do historicismo romântico foi ampliar os horizontes do que se pensava como parte da História, colocar o homem comum como parte dela e abrir caminho para o estabelecimento mais tarde de uma verdadeira ciência histórica, mais rigorosa e objetiva. 

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