sexta-feira, 8 de abril de 2016

História Tirada de Algumas Poesias

A primeira vez que a vi ... eu não sabia seu nome. Estava sentada sozinha no banco do ponto de ônibus. Chorava com um livro nas mãos. O que me chamou a atenção é que chorava apenas por um dos olhos... na verdade por um dos olhos chorava copiosamente ... pelo outro apenas uma lágrima. Fechou o livro. Acabara de ler a última página. Parecia tão triste. Queria me aproximar mas sabia que se o fizesse ela limparia as lágrimas e a beleza do momento se perderia. Fiquei curioso sobre quem seria aquela menina e porque estaria tão triste. Quando lhe procurei de novo com o olhar ela tinha sumido. Um ônibus chegara e a levara. Mais tarde eu acharia o mesmo livro em uma biblioteca e leria sua última página. Falava algo sobre uma separação de amigos, rosto a serem lembrados e um momento para não ser esquecido. Estranhamente eu não me lembrava de seu rosto mas apenas de seus olhos e aquela gota de água solitária...

Ainda hoje me lembro daquele momento. Já ouvi algo sobre o perigo de pessoas que choram por um olho só. Alguma superstição. Devia ser mais supersticioso. Lembro-me de que por algum tempo só pensei naquela menina, como encontrá-la de novo. Por duas semanas sentei-me naquele ponto de ônibus e fiquei esperando. Ela nunca apareceu. Ainda por algum tempo passei por aquela praça no caminho de volta para casa. Pouco a pouco desisti e deixei de passar por ali.

Estava voltando para casa. Fui pego por uma chuva forte. Corri para me abrigar sob o toldo de uma padaria fechada. Já havia alguém lá. Uma menina. O rosto molhado da chuva me fez reconhecê-la. Desta vez prestei atenção ao seu rosto. Não eram tão bonitos como seus olhos. Pensei que fosse mais velha. Saiu correndo de modo esquisito.

Nunca acreditei em amor à primeira vista. Mas acredito em amor à terceira vista. Pelo menos assim aconteceu comigo. Na terceira vez nos conhecemos. Por toda a noite dançamos. Depois da festa nos beijamos. Ao som das águas de um riacho que corria.

Fosse esta estória uma poesia e ela aqui terminaria. Mas na vida real as estórias continuam. Muitas outras vezes nos encontramos. Até que em uma outra festa a vi por uma última vez. Seus olhos surpresos me disseram adeus. Só então eu percebia que era de Castro a poesia.

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