Ainda hoje me lembro daquele
momento. Já ouvi algo sobre o perigo de pessoas que choram por um olho só.
Alguma superstição. Devia ser mais supersticioso. Lembro-me de que por algum
tempo só pensei naquela menina, como encontrá-la de novo. Por duas semanas
sentei-me naquele ponto de ônibus e fiquei esperando. Ela nunca apareceu. Ainda
por algum tempo passei por aquela praça no caminho de volta para casa. Pouco a
pouco desisti e deixei de passar por ali.
Estava voltando para casa. Fui
pego por uma chuva forte. Corri para me abrigar sob o toldo de uma padaria
fechada. Já havia alguém lá. Uma menina. O rosto molhado da chuva me fez
reconhecê-la. Desta vez prestei atenção ao seu rosto. Não eram tão bonitos como
seus olhos. Pensei que fosse mais velha. Saiu correndo de modo esquisito.
Nunca acreditei em amor à
primeira vista. Mas acredito em amor à terceira vista. Pelo menos assim
aconteceu comigo. Na terceira vez nos conhecemos. Por toda a noite dançamos.
Depois da festa nos beijamos. Ao som das águas de um riacho que corria.
Fosse esta estória uma poesia e
ela aqui terminaria. Mas na vida real as estórias continuam. Muitas outras
vezes nos encontramos. Até que em uma outra festa a vi por uma última vez. Seus
olhos surpresos me disseram adeus. Só então eu percebia que era de Castro a
poesia.
Deveria escrever mais. Gostei muito.
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